Os 30 Melhores Livros Infantis do Ano da CRESCER 2026

Por Cristiane Rogerio  

Quando finalizamos a tabulação dos resultados de Os 30 Melhores Livros Infantis do Ano da CRESCER 2026, dedicada aos lançamentos de 2025, a emoção foi grande: 27 das obras selecionadas são produções de autoras e autores brasileiros publicadas por editoras nacionais.

Com um júri especializado como o nosso — formado por pessoas que atuam de diferentes maneiras no universo do livro, entre pesquisadoras e pesquisadores, mediadoras e mediadores de leitura, bibliotecárias e bibliotecários, livreiras e livreiros, além de professoras e professores da educação infantil e dos anos iniciais do ensino fundamental em diversas regiões do país —, este é um resultado que merece ser celebrado.

 

A PARTIR DE 5 ANOS

*MAMÃE APAIXONADA

Um lindo menino nos anuncia: “mamãe está apaixonada”. Ué, sobre o que será esse livro? “Sou apaixonada por flores”, diz ela - e uma belíssima imagem dela e um vaso de flores tomam a dupla de páginas.

Das flores, vamos aos pássaros, primaveras, festas, fantasias... e borboletas (até sobra uma referência à Lagarta Muito Comilona, de Eric Carle), essa mamãe tem muitos amores mesmo! A cada virar de páginas, a cor, os traços, o movimento, os tons do autor pernambucano André Neves, que há mais de 30 anos encanta as prateleiras de poesia nos livros para as infâncias.

Lemos a obra como quem vê uma lista poética de memórias desta mulher repleta de paixões e de inspirações para outros amores infinitos. O livro saiu perto de um “par”: Papai Apaixonado, quando temos a chance de conhecer mais destas calorosas revelações.

 

*O NOME DO MOÇO

Mãe e filha andam por uma grande cidade brasileira. Parece uma caminhada comum, mas a criança vê. Vê o que? Vê o que tantos de nós não vê mais. “Mamãe, você viu o moço ali deitado?”, “Não vi, filha.”, “Ele estava escondido embaixo do plástico. Só com o pé para fora.”

O livro todo vem assim, escrito em diálogo: a criança pergunta de tudo. “Mãe, criança também pode ficar sem casa?”, “Criança pode dormir na rua?”, “Será que o moço tem filhinho, mãe?”, “Mas o moço tem mãe, né?”.

Com a personagem filha, a escritora Márcia Leite vai, então, nomeando os incômodos, tudo aquilo sobre o qual não se quer mais falar. Com a personagem mãe, no entanto, ela mostra os diálogos possíveis que podem nos apontar sobre algo que não precisamos nos esquecer de sentir: compaixão.

Enquanto nos envolvemos com a conversa, Bruna Lubambo nos dá muito das texturas, formas, movimentos, marcas diversas de quem vive na urbanidade tantas vezes hostil.

 

A PARTIR DE 6 ANOS

*XIMLÓP

A palavra veio pela primeira vez num jantar com a família de um dia qualquer: Ximlóp! Foi um choque! Então o menino foi conversar com o grupo que apenas falava “A”: não deixaram que falasse mais; seguiu para a turma que dizia só “B” para tudo e, a mesma coisa: não suportaram.

Quando encontrou um pessoal que falava coisas diferentes entre si, pensou que era uma saída. Ledo engano: ouviu xingamentos de variadas formas. Como será possível conversar? Resolveu guardar seus pensamentos e optou pelo silêncio.

Tempos depois, alguém soube sobre Ximlóp e tudo recomeçou. Neste livro com interpretações bem abertas, Gustavo Piqueira, um dos mais inventivos autores e designers de livros brasileiros, nos aponta que a única coisa certa é que não há ideias válidas para todo sempre. Qual será o Ximlóp do momento, hein? Vencedor do Prêmio APCA de 2025.

 

*FRANK E ESTER

Grudados desde a vida dentro da barriga da mãe, Frank e Ester viviam muitas coisas importantes juntos. Eram felizes, brincavam, estudavam, tinham pais amorosos e juntos experienciavam tudo que tinham direito. Até que um dia, o pai foi promovido, a vida da mãe também mudou e os dois precisaram ir para uma escola nova.

Ester foi para a biblioteca pegar seu primeiro livro emprestado, mas ouviu que a leitura que ela queria estava reservada para outra pessoa. E não foi apenas uma vez. Os dois sentiram algo que o nome custa a chegar: ra-cis-mo.

O traço peculiar de Vitor Rocha promove no livro a possibilidade de um toque de surrealismo para algo tão duro de viver. Enquanto elaboravam a violência silenciosa, os irmãos buscaram justificativas. Entre cochichos dos outros e suas próprias dores, seguiram para casa se sentindo diferentes, estranhos e com vontade de ter outro tipo de coração, o mundo estava diferente. Mas, em casa, eles tinham tudo para lutar.

 

A PARTIR DE 7 ANOS

*PRIMAVERA

Este livro parece que vai desmanchar-se em nossas mãos. Não pela qualidade da materialidade, claro, mas porque tudo ali parece estar vivo, perecível, se movimentando aos nossos olhos. Isso tem a ver com a textura das imagens do autor Odilon Moraes.

Assim que começamos a ler o texto de Carolina Moreyra, entendemos por que ele fez tudo exatamente deste jeito. A narradora vem nos contar sobre a Bisa, que vive num lugar especial. Mas é mais que isso, ela vive na lembrança do pôr do sol que ficou escondido por causa da chuva, na sopa tomada junto e nos passeios de bicicleta.

“A primavera começa e logo chegam as lagartas”, começa o texto. As frases vão se entrelaçando e ficamos num vaivém de passado e presente, sentindo que o tempo não é este tempo do relógio: é um tempo de lagarta-casulo-borboleta.

“Uns dias depois começam a aparecer os casulos. Mamãe, tem um no guidão da bicicleta. E outro no meu skate." Não mexam nos casulos, a Bisa dizia. E os meninos ficavam bravos. Queriam andar de bicicleta e de skate. Mas não queriam desagradar a Bisa. "Seu cabelo é tão branco, parece neve. Você é nossa Branca de Neve. E a Bisa ria”. Percebeu? Primavera é um tempo de lagarta, um tempo de admiração, um tempo de amor.

Confira a lista completa: https://revistacrescer.globo.com/entretenimento/literatura-infantil/melhores-livros-infantis-do-ano/noticia/2026/05/os-30-melhores-livros-infantis-or-2026.ghtml

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